
Centenas de mortos-vivos, roupas esfarrapadas e cicatrizes sangrentas, aterrorizando ruas movimentadas de grandes cidades. De brincadeirinha, claro. É a zoombiewalk – marcha dos zumbis – que está virando moda entre jovens entediados ao redor do mundo. Começou nos EUA, foi pro Canadá, alastrou-se pra Inglaterra e de lá ganhou a Europa. Já houve edições na Finlândia, na Alemanha e recentemente até a longínqua Nova Zelândia fez a sua. Um lance meio flashmob, marcado por emails e sms (às vezes também cartazes, flyers e arte urbana em geral), só que temático: todos vão fantasiados, maquiagem no capricho, tendo como objetivo primordial tirar uma com a cara de quem está passando na rua. Mais ou menos o mesmo prazer mórbido – e ótimo – de se vestir de bate-bola no carnaval carioca e sair assustando criancinhas Rio de Janeiro afora. As reações vão do simples desprezo e dos muchochos rabugentos de “tsc tsc….. isso é falta do que fazer….”..até sorrisos cúmplices daqueles que entendem de cara o bom humor da parada. Há inclusive aqueles que se juntam ao grupo e à farra. Nos fóruns, há até discussões sobre “aceitar ou não a presença de não-zumbis nas zombiewalks”… Pra você ver né… Nesse mundo há chatos até entre os zumbis! :-) Com a proximidade do “dia das bruxas”, agora dia 31 de outubro, os zumbis urbanos estão em polvorosa e várias marchas estão sendo preparadas para celebrar a data. No Brasil, os antenados-descolados-e-cools-pra-dedéu já estão a par do movimento e à postos para imitar, repetindo em terras sulistas a atual mania do hemisfério norte: está programada dia 2 de novembro a primeira zoombiewalk brasileira, cujo ponto de partida será o Masp, em São Paulo. Mesmo que zumbis jamais tenham feito parte de nossa cultura. Mas enfim…..o único porquê de um troço destes é a diversão, e diversão inofensiva é sempre bem vinda. O toque de personalidade fica por conta da data – nosso feriado de Finados – mas de resto o formato é exatamente igual ao gringo: passeios por ruas do centro, gritarias, gargalhadas, muito ketchup e uma confraternização final em algum cemitério, onde invariavelmente terminam as zumbizices.
No Rio, até o momento nenhum grupo de designers gráficos antenados ou artistas plásticos descolados se manifestou no intuito de organizar a versão carioca. Talvez por saberem que (também) nessa área a cidade foi pioneira: por aqui as marchas de zumbis acontecem periodicamente ao longo do ano, há váaaaarios carnavais. E não estou falando dos Clóvis bate-bolas. Me refiro aos flashmobs de mendigos doidos varridos que se reúnem em Botafogo para aloprar com a população local, mostrando o piru, ameaçando entrar nas lojas, pedindo esmola aos transeuntes de maneira um tanto quanto incisiva. De vez em quando dois dentre eles – cabeça cheia de cachaça – esquecem o bom humor da empreitada e começam a se engalfinhar. Ou então dos flahsmobs de meninos de rua, arruaceiros e bandidos em geral; que acontecem todo final de tarde na praia de Copacabana, regados a cola, pó e a coragem dos que não tem nada a perder. Teria graça brincar de zumbi num lugar desses?
25 Outubro, 2006 às 10:18 am
vc acabou de me dar uma idéia para a festa de Halloween! ehehehe
bjooo