Caminho sem volta

By passoadiante

Muito se fala da suposta guerra entre as gravadoras e o download ilegal de músicas. A verdade é que na há guerra alguma: o que existe é um momento mágico e conturbado da história da comunicação humana, uma transição entre os suportes físicos – usados durante os últimos 20 mil anos, como o papel dos jornais e o plástico dos cd´s – e os suportes eletrônicos, onde dados podem ser facilmente transmitidos e armazenados em qualquer tipo de memória. Até o desenvolvimento do primeiro método de gravação, a música só existia se executada ao vivo; e era assim que os músicos tiravam seu sustento. As tecnologias se desenvolveram e a indústria conseguiu controlar tanto a comercialização quanto todos os aspectos relacionados à execução de uma obra musical. Aos ouvintes, não restou escolha: o jeito foi comprar vinis, fitas K7, cd´s e dvd´s. A tecnologia evoluiu e hoje a cópia e o compartilhamento de músicas acontecem de maneira simples e em enormes proporções, inclusive ferindo a lei que atualmente rege o setor. As gravadoras estão em pânico e indignadas, é claro; enquanto cada vez mais gente recheia seus ipods com downloads piratas. É uma situação complicada e parte da indústria insiste em não evoluir, enquanto dá tiro no próprio pé. Há corporação que chega a operar nas duas áreas: é simultaneamente gravadora e fabricante de mp3 players. Onde os executivos da empresa pensam que seus clientes conseguem as músicas que recheiam seus players? Ripando Cd´s originais? Os próprios funcionários das grandes gravadoras vazam incognitamente para a rede o conteúdo de Cd´s que ainda nem foram lançados. Quando não são eles, são os assessores de imprensa ou os jornalistas, que ripam os discos de divulgação. Em última instância, algum pirata engajado compra o Cd na loja e faz o serviço sujo, dividindo com o mundo a música de seus ídolos. Enquanto isso a China trabalha silenciosamente e põe no mercado mp3 players de 2GB por duzentos e poucos reais, como por exemplo os modelos da Foston. As telecoms, por sua vez, se esforçam para levar a banda larga para os celulares, o que vai elevar à décima potência o consumo de produtos multimídia na rede. Mesmo se houvesse guerra, ela já estaria perdida.

Sobreviverão as empresas que souberem entender o novo mundo que estamos vendo nascer.

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