
Achei que todos os recordes da cafonice e do provincianismo babaca tinham sido batidos com o lançamento do empreendimento Îles de la Península, na Barra da Tijuca, aqui no Rio de Janeiro. Enquanto praticamente todos os estabelecimentos do bairro têm nomes em inglês, quando se trata de batizar o condomínio, bacana mesmo é nome afrancesado. Pois agora estão anunciando a “mais nova onda do momento”, o condomínio Les Residènces de Monaco que – apesar do nome – fica ali mesmo na Av. Sernambetiba, de frente pra praia da Barra, a 3 km da maior favela da América Latina.
O que poucas pessoas sabem é que – apesar de serem classificados como condomínios de “alto luxo” – todos estes novos edifícios da Barra, de uns 10 anos para cá, não tem paredes. Exatamente isto que você leu. Um lance meio Arca de Noé do Vinícius de Moraes: “ninguém podia dormir na rede, porque na cada não tinha parede”. O que as empreiteiras têm chamado de parede desde então são placas de gesso acartonado, que nada mais são do que placas de eucatex (farelo de papelão aglomerado industrialmente) cobertas de gesso. Os andares são enormes salas e os apartamentos vão tomando forma com a colocação destas placas, como se fossem divisórias. As tubulações e a rede elétrica ficam nos espaços entre uma placa e outra, espaços estes que as vezes são preenchidos com espuma de fibra de vidro, pra dar uma isolada acústica. Vã tentativa de evitarem um climão de cortiço de início de século, que tinham as paredes feitas de finíssimas placas de madeira, criando um ambiente promíscuo onde todos escutam a intimidade dos outros.
O Mônaco verdadeiro, aquele que tem segurança, tratamento de esgoto, coleta seletiva de lixo, trânsito organizado, polícia honesta, pessoas educadas e prédios com paredes de tijolo maciço; não quer ver seu nome associado à delírios de novos-ricos tropicais: a embaixada está processando a Brascan – que é a imobiliária responsável pela idéia genial em questão – pois não quer qualquer ligação tal empreendimento carioca seja associado ao Principado.
14 Novembro, 2006 às 7:19 am
Eu sempre gostei de nome franceses. Serei chamada de cafona agora? rsrs