Posts de Março, 2007

Menos é mais (ainda)

31 Março, 2007

A imprensa está começando a esboçar um movimento anti-minimal. Tanto sites independentes quanto a ínfima parcela da grande imprensa que dedica algum espaço à música eletrônica. Insinuam que na Europa o minimal já era (o que é verdade) e que já está passando da hora da modinha ir embora daqui também. O raciocínio é estranho, fica parecendo que o que estão dizendo é “já está na hora de imitarmos algo novo, de importarmos a onda do momento”; mas a causa é justa, pois neste Rio de Janeiro, como acontece com qualquer coisa hypada, o minimal tornou-se onipresente (e quase única opção) a partir de um determinado momento. Nos últimos 18 meses, foram vários os Djs cariocas de electro ou techno, por exemplo, que sem pestanejar migraram para o tal do minimal – justamente esquecendo que “menos é mais”. Enfim, apesar de toda essa chatice minimal que infestou o Rio de Janeiro e que antes tarde do que nunca dará lugar à próxima modinha (new rave?), nem todo minimal é um saco. Muito pelo contrário. E além de todo esse minimal século XXI da Minus, do minimal electro do Trentemoller e do minimal house do Booka Shade; tem coisa boa das antigas, do século passado, mais precisamente de 1997 e 1994.

Ontem, lendo uma matéria de uma revista francesa de dois anos atrás, que comentava uma outra matéria que eles mesmo tinham feito em 97, li novamente o nome Sahko. Um selo finlandês, segundo eles um dos pioneiros do minimalismo recente. Segundo o autor do artigo que – já em 97 – escreveu com a empolgação de um fã, trata-se de uma das “pedras fundamentais” do que anos depois tornou-se essa onda minimal que varreu a Europa e o mundo. Ele elogiou muito o album “Tulkinta” do O (uma letra “o” com um traço no meio) e o album “Rosenkranz” do Mike Ink (que é alemão). Fiquei curioso e hoje de manhã já estavam os dois no “shared folder” do Emule.

Bem interessantes, sobretudo por saber que já faziam isso em meados dos anos 90. Sons experimentais, às vezes com sonoridades que lembram as que foram apresentadas no Hipersônica do FILE, outro dia no MAM. Mas basta se concentrar um pouquinho para perceber a música por trás do que num primeiro momento causa estranheza e pronto; a mente vai longe, acompanhando as estorinhas sonoras que contam. Vale a ouvida. No torrents é difícil de achar, mas no Emule basta procurar por “Sahko” para achar estes e vários outros álbuns (alguns recentes inclusive, pois o selo ainda está na ativa).